domingo, 27 de agosto de 2017
domingo, 30 de julho de 2017
Origem Primitiva da Matemática
Os matemáticos de hoje em dia se baseiam muito em
demonstrações atuais, envolvendo a chamada “matemática pura” que só
desenvolveu-se dando mais ênfase à ciência a partir do século XIX. Porém, tudo
antes desse grande século de proveito significativo a matemática aparecia com
inúmeras concepções que poderíamos tratar como pré-requisito, mas que o homem
analisaria e estudaria tudo de uma forma bem primitiva . Muitas definições
matemáticas hoje utilizadas e adotadas de forma padrão, tiveram origem nos
primeiros tempos da raça humana, como os princípios de contagem, a distinção de
algarismos, formas , conjuntos e unidades.
O desenvolvimento da comunicação e da fala pelo
homem primitivo foi de grande auxilio para o desenvolvimento do pensamento
abstrato da matemática, fazendo com que a linguagem da matemática concreta se
aproximasse muito com o da matemática abstrata. Assim como alguns rumores
da história da matemática conta que a forma de linguagem para números
pares e ímpares teria sido a separação ou distinção dentro de certas
tribos como membros do sexo masculino e membros do feminino, representando um
com número par e outro com número impar a fim de se estabelecer uma ordem.
Afirmar sobre conceitos e de fato as origens da
matemática é um pouco complicado, pois as noções primitivas aparecem antes da
escrita. Um importante fato referindo a essas afirmações, seria onde
teria surgido a geometria, pois não existem documentos nem provas de que como a
“matemática em formas” teria surgido, acredita-se que a necessidade e a
observação quanto a criações, mostram que possa ter sido no Egito, mas, no
entanto, não podemos afirmar, pois não há nada em que nos apoiar como provar a
origem da geometria. A história da matemática esta só em documentos da época.
Bibliografia:
História da Matemática – Carl B Boyer
“Stone age mathematic” – Strik, D.J
História da Matemática – Carl B Boyer
“Stone age mathematic” – Strik, D.J
Fonte: http://www.infoescola.com/matematica/aspectos-historicos-sobre-funcao-matematica/ (acesso em 30/07/2017)
sábado, 15 de julho de 2017
Aspectos históricos sobre função matemática
Por Robison Sá
A gênese de muitas descobertas matemáticas que nos beneficia até os dias
atuais ocorreu num passado bastante remoto. Várias pessoas ligadas à
matemática, seja pelo profissionalismo ou mesmo pela simples admiração pela
ciência das formas e nos números, contribuíram para a sua evolução, dedicando
seu tempo, seus esforços e doando ao mundo um pouco da sua capacidade
intelectual. O conhecimento matemático evolui pela sua disseminação, pelo
compartilhamento, assim como todo conhecimento.
Registros históricos:
A partir do século XVII começou a surgir as primeiras ideias sobre o
conceito de função, com a necessidade de observação dos fenômenos e
das leis que buscavam explica-los. Galileu Galilei (1564-1642)
e Isaac Newton (1642-1727),
por exemplo, utilizaram em seus trabalhos algumas noções de lei e dependência,
como hoje sabemos, fortemente ligadas ao conceito de função.
No século XVIII, Jean Bernoulli, matemático suíço (1667-1748) utilizou o
termo função, assim designando os valores obtidos por operações entre variáveis
e constantes. Ainda no século XVIII, Leonhard Euler (1707-1783) fez uso da
notação atual, mas foi Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) quem criou o
termo função.
Entre 1811 e 1819 o grande matemático Davies’ Legendre, publicou um
tratado em três volumes denominado “Exercices du calcul integral”,
rivalizando em pé de igualdade, tanto em qualidade quanto em autoridade com o
tratado de Leonhard Euler. Um pouco mais adiante, Legendre expandiu o seu
trabalho obtendo outros três importantes volumes e formando o “Traité des
fonctions elliptiques et des intégrales eulerianas", algo entre os
1825 e 1832. Foi de Legendre que partiu o termo Equações Eulerianas para as
equações Beta e Gama. Outra contribuição de Legendre são as integrais elíticas
de primeira e segunda espécie:
O mais importante matemático do século XVIII foi Joseph Louis Lagrange.
Dentre várias contribuições de Lagrange estão estudos sobre o cálculo de
variações, à época ramo novo da matemática, cujo nome era originado de notações
usadas pelo próprio Lagrange por volta de 1760. Em linguagem simples, o cálculo
de variações trata de encontrar uma relação funcional (y = f(x)),
de maneira que uma integral ∫bag(x,y)dx seja
máxima ou mínima.
Quedas mais rápidas e problemas de isoperimetria eram casos especiais do
cálculo de variações. No ano de 1755 Lagrange escrevera a Euler mostrando os
métodos gerais que ele tinha desenvolvido para resolução de problemas dessa
natureza. Euler, por sua vez, humilde e generosamente, adiou a publicação de um
trabalho semelhante para que Lagrange recebesse todo o crédito.
Ainda voltando no tempo, já clara as várias contribuições de tantas
pessoas ligadas à matemática para o desenvolvimento dos conceitos sobre função,
a definição antiga que talvez mais se assemelhe com a que utilizamos hoje é do
matemático alemão Peter G. Lejeune Dirichlet (1805-1859), diferenciando-se da
atual apenas pela não criação, à época, da Teoria dos Conjuntos.
“O futuro é determinado por ações do presente.”
(Robison Sá)
(Robison Sá)
Fonte: http://www.infoescola.com/matematica/aspectos-historicos-sobre-funcao-matematica/
(acesso em 15/07/2017)
sexta-feira, 14 de julho de 2017
Geometria
Analítica – Uma breve história
Por Robison Sá
Como surgiu?
Todas as ideias matemáticas
relacionam-se entre si, num dado momento ou em outro, porém o fato é que existe
uma relação explícita ou implícita entre elas. Foi dessa forma, que o
matemático e filósofo francês René Descartes concebeu
a geometria analítica. Como à época álgebra e
geometria eram cartas do mesmo baralho, mas tratadas como disjuntas, Descartes
se dedicou a união dessas duas áreas do conhecimento matemático, para ele
claramente correlacionáveis.
Em seu livro, o discurso do
método, publicado em 1637, Descartes mostra que as ciências deveriam ser
guiadas pela matemática, isso devido a sua exatidão e possibilidades de
experimentação. Foi nesse mesmo livro que René demonstrou o grande campo de
aplicabilidades da geometria analítica. Porém, as indicações
sobre quem possivelmente seria o patrono da G.A. (Geometria Analítica) não
formam um senso comum. Muitos historiadores dão crédito também ao
matemático Pierre de Fermat, vistos os seus estudos no campo das equações que
representavam curvas no plano. Além disso, outros estudiosos apontam esse
conhecimento como advindo, ora dos egípcios, ora dos gregos ou romanos.
O que é Geometria Analítica?
A geometria analítica, como
discutido anteriormente, veio do ideal de unir álgebra e geometria. Num plano
coordenado, podem ser localizadas retas, curvas, círculos, ou seja, todos os
conceitos fundamentados na ideia primitiva de ponto, afinal todas essas figuras
nada mais são que conjuntos de pontos.
Plano Cartesiano
O plano coordenado, mais conhecido como
Plano Cartesiano, é formado por dois eixos, um vertical, eixo y (eixo das
ordenadas) e um horizontal, eixo x (eixo das abcissas), que formam quatro
quadrantes, como mostra a figura ao lado. Esses dois eixos se coincidem num
ponto comum chamado origem do plano, ou ponto (0,0). Um ponto é, desta forma,
representado por dois valores numéricos, sendo que o primeiro corresponde a x e
o segundo a y – (x,y) –. Esse par, ou par ordenado, ou ainda coordenadas
cartesianas, no plano, indica um ponto.
Perceba que, a partir da álgebra,
poderemos chegar a uma representação geométrica no plano, e vice-versa. No
Plano de Descartes estão localizadas as definições matemáticas, antes apenas
embutidas na geometria euclidiana (plana). Vejam na figura a seguir a
representação de pontos no plano e entenda como ele funciona.
B (-3,2) → (x,y)
C (2,0) → (x,y)
D (-2,-4) → (x,y)
E (4,-3) → (x,y)
F (0, -2) → (x,y)
D (-2,-4) → (x,y)
E (4,-3) → (x,y)
F (0, -2) → (x,y)
Onde usá-la ou encontrá-la?
A geometria analítica é
a base de grandes campos de estudos matemáticos em dias atuais, mas também é
muito utilizadas em atividades não explicitamente matemáticas. Seja na
geometria algébrica, física, geometria diferencial, engenharia e outras, ou
ainda na vida prática como nos mapas, satélites e no moderno Sistema de
Posicionamento Global, GPS (sigla em inglês) ela está presente.
Podemos utilizar o sistema de
coordenadas para nos localizar, localizar pessoas ou imóveis, tendo por
referência um ponto de origem (no qual estamos no momento), os eixos (ruas,
avenidas, etc.) e um ponto de chegada (local no qual queremos chegar), como
ilustra a imagem ao lado.
EXEMPLOS:
- Igreja (D, 9)
- Cinema (L, 5)
Para
finalizar
Não importa quem foi o criador da geometria
analítica, embora todos os seus contribuintes tenham muito mérito e mereçam
a nossa admiração, gratidão e respeito, o importante é que essa descoberta
revolucionou as nossas vidas, tornando-as mais práticas, convenientes e
esclarecidas. Saber se deslocar num determinar espaço, mesmo que ele ainda lhe
seja desconhecido, nos permite conhecer novos mundos, novos campos
de conhecimentos, de conquistas, de descobertas.
A geometria analítica guia
os nossos passos a cada instante das nossas vidas. Em momentos ela é útil aos
profissionais da matemática, da física, da engenharia, etc. Em outros ela
favorece aqueles que utilizam a matemática ou outras ciências
inconscientemente, os leigos dos aspectos técnicos, porém essenciais ao
funcionamento do mundo.
“A cada ponto, uma
localização; a cada localização, um mundo que se revela”.
História da Trigonometria
Por Robison Sá
Falar
de trigonometria é
lidar com um tabu histórico que compreende o ensino deste ramo da matemática
tão frequentemente associado à ideia de dificuldade e incompreensão. Porém,
antes que o interessado no tema desista de compreendê-lo, antes mesmo de
esgotar as ferramentas possíveis de aprendizagem, convido-os a viajar pelos
fatos históricos na busca de justificativas para a existência dessa ferramenta
matemática tão utilizada por outras ciências e áreas do conhecimento humano.
Este
trabalho é apenas uma introdução à história da trigonometria,
portanto tem o seu estudo em caráter de resumo. Isso poderá levá-los a
compreensão dos fatos históricos através de uma leitura rápida, sem cansaço.
Buscarei também o uso de uma linguagem descomplicada e acessível ao leigo que
visita, pela primeira vez, os terrenos da história da trigonometria.
A história
Não se
pode precisar a origem da trigonometria. Como toda área da matemática, a
trigonometria surgiu por diversos estudiosos, principalmente através do estudo
da astronomia, agrimensura e navegação. Povos como os egípcios e os babilônios
deram importantes contribuições para a descoberta e aperfeiçoamento desse ramo
matemático tão importante à época, bem como em dias atuais.
Papiro de Rhind
No Papiro
Rhind, documento egípcio que data de aproximadamente três mil anos, foram
encontrados problemas relacionados à cotangente. Na tábua cuneiforme Plimpton 322,
tábua babilônia com texto escrito entre 1900 e 1600 a.C., foram localizados
problemas envolvendo secantes.
Euclides de Alexandria, em sua obra
mundialmente conhecida, Os Elementos, apresentou alguns conceitos
trigonométricos, porém representados através de formas geométricas. Mas foi
Hiparco de Nicéia, na segunda metade do século II a.C., quem recebeu o título
de Pai da Trigonometria, isso porque apresentou um tratado com
cerca de 12 volumes nos quais tratava da trigonometria com a autoridade de quem
conhecia profundamente o assunto. Naquele mesmo período, Hiparco apresentou ao
mundo uma tábua de cordas, sendo ele o responsável pela elaboração da primeira
tabela trigonométrica que se tem registro. Ainda naquela época, Ptolomeu apresentou
sua tábua de cordas contendo o cálculo do seno dos ângulos de 0º a 90º, ângulos
que seriam utilizados nos estudos astronômicos em que ele estava engajado.
Hiparco e Ptolomeu deram imensas contribuições para o desenvolvimento da
Matemática e da Astronomia.
Ptolomeu
Hiparco,
ao lado de Ptolomeu, é, sem dúvida, um dos nomes mais ilustres dos estudos
antigos da trigonometria. É atribuída a ele, também, a divisão do círculo em
360º. Advindos do estudo da Astronomia surgiram os conceitos de seno e cosseno. A tangente
supostamente surgiu da necessidade de se calcular alturas e/ou distâncias.
A obra
matemática mais influente da antiguidade foi escrita pelo astrônomo e matemático
Ptolomeu de Alexandria, a Syntaxis Mathematica, obra de 13 livros
relacionados à trigonometria. Ainda em terreno grego, Menelau de
Alexandria escreveu três volumes destinados ao estudo da
trigonometria, sendo o primeiro atido à ideia de triângulos esféricos, o
segundo é uma aplicação da geometria esférica a astronomia e o terceiro trata
do Teorema de Menelau.
Últimas considerações
Como
afirmei nas linhas iniciais, este trabalho é um resumo histórico sobre a
trigonometria, sendo uma ferramenta de conhecimento prévio do tema e convite
para um estudo mais aguçado em bibliografias específicas. Se o leitor buscou
conhecimentos básicos sobre o tema, creio que tenha encontrado. Conhecer os
motivos que levaram pessoas a se engajarem na busca pelo conhecimento minucioso
de certa área do saber nos conduz a compreensão do que buscamos ao estudar
aquela disciplina, aquele conteúdo, aquela ciência. Isso, sem dúvida, nos
tornará aptos ao aprendizado, bem como nos proporcionará momentos de
descontração e viagem no tempo, ao conhecimento de povos, costumes, culturas.
Com certeza esse é um excelente motivo para estudarmos a história daquilo que
hoje apenas nos é mostrado como um saber pronto, acabado.
“Passeando
pela história encontraremos a justificativa para o nosso presente
e estimaremos o nosso futuro”.
(Robison Sá)
quarta-feira, 7 de junho de 2017
MATEMÁTICA
A
matemática (palavra que vem do grego e significa "apreciador do
conhecimento") é um ciência que investiga as relações entre entidades
definidas lógica e abstratamente. Essa ciência estuda espaços, estruturas,
medidas, quantidades e variações.
A matemática, que teve o seu início através de medições, contagens e
cálculo, desenvolveu-se principalmente no Egito, na Grécia, na
Mesopotâmia, no Oriente Médio e na Índia, porém foi durante o Renascimento que
a matemática começou a se desenvolver mais rapidamente, levando assim a novas
descobertas. Descobertas que continuam até os dias de hoje.
Se em
algum dia você já se perguntou "por que devo aprender matemática?",
saiba que um dos fatos mais interessantes da matemática é de que ela serve como
ferramenta em áreas como engenharia, medicina, ciências sociais, física e
muitas outras. Por isso, podemos dizer que a matemática está mais presente no
nosso dia a dia do que imaginamos. O matemático rússo Lobachevsky (1792-1856)
retra isso muito bem em uma de suas frases:
Não há
nenhum ramo da matemática, por mais abstrato que seja, que não possa vir a ser
aplicado, mais cedo ou mais tarde, aos fenômenos do mundo real.
Galileo
Galilei (1564–1642), muito antes de Lobachevsky, afirmou:
O
universo não pode ser lido enquanto não tivermos aprendido sua linguagem e nos
familiarizado com os caracteres nos quais é escrito. Ele é escrito em linguagem
matemática, e as letras são triângulos, círculos e outras figuras geométricas,
sem as quais é humanamente impossível compreender uma só palavra. Sem elas,
estaremos vagando num labirinto escuro.
Fonte: www.rachacuca.com.br
HISTÓRIA DOS NÚMEROS
A
noção de número e suas extraordinárias generalizações estão intimamente ligadas
à história da humanidade. E a própria vida está impregnada de matemática:
grande parte das comparações que o homem formula, assim como gestos e atitudes cotidianas,
aludem conscientemente ou não a juízos aritméticos e propriedades geométricas.
Sem esquecer que a ciência, a indústria e o comércio nos colocam em permanente
contato com o amplo mundo da matemática.
A LINGUAGEM DOS NÚMEROS
Em todas as épocas da evolução humana,
mesmo nas mais atrasadas, encontra-se no homem o sentido do número. Esta
faculdade lhe permite reconhecer que algo muda em uma pequena coleção (por
exemplo, seus filhos, ou suas ovelhas) quando, sem seu conhecimento direto, um
objeto tenha sido retirado ou acrescentado.
O sentido do número, em sua significação
primitiva e no seu papel intuitivo, não se confunde com a capacidade de contar,
que exige um fenômeno mental mais complicado. Se contar é um atributo
exclusivamente humano, algumas espécies de animais parecem possuir um sentido
rudimentar do número. Assim opinam, pelo menos, observadores competentes dos
costumes dos animais. Muitos pássaros têm o sentido do número. Se um ninho
contém quatro ovos, pode-se tirar um sem que nada ocorra, mas o pássaro
provavelmente abandonará o ninho se faltarem dois ovos. De alguma forma
inexplicável, ele pode distinguir dois de três.
O corvo assassinado
Um senhor feudal estava decidido a matar um
corvo que tinha feito ninho na torre de seu castelo. Repetidas vezes tentou
surpreender o pássaro, mas em vão: quando o homem se aproximava, o corvo voava
de seu ninho, colocava-se vigilante no alto de uma árvore próxima, e só voltava
à torre quando já vazia. Um dia, o senhor recorreu a um truque: dois homens entraram
na torre, um ficou lá dentro e o outro saiu e se foi. O pássaro não se deixou
enganar e, para voltar, esperou que o segundo homem tivesse saído. O
estratagema foi repetido nos dias seguintes com dois, três e quatro homens,
sempre sem êxito. Finalmente, cinco homens entraram na torre e depois saíram
quatro, um atrás do outro, enquanto o quinto aprontava o trabuco à espera do
corvo. Então o pássaro perdeu a conta e a vida.
As espécies zoológicas com sentido do
número são muito poucas (nem mesmo incluem os monos e outros mamíferos). E a
percepção de quantidade numérica nos animais é de tão limitado alcance que se
pode desprezá-la. Contudo, também no homem isso é verdade. Na prática, quando o
homem civilizado precisa distinguir um número ao qual não está habituado, usa
conscientemente ou não - para ajudar seu sentido do número - artifícios tais
como a comparação, o agrupamento ou a ação de contar. Essa última,
especialmente, se tornou parte tão integrante de nossa estrutura mental que os
testes sobre nossa percepção numérica direta resultaram decepcionantes. Essas
provas concluem que o sentido visual
direto do número possuído pelo homem civilizado raras vezes ultrapassa o número
quatro, e que o sentido tátil
é ainda mais limitado.
Limitações vêm de longe
Os estudos sobre os povos primitivos
fornecem uma notável comprovação desses resultados. Os selvagens que não
alcançaram ainda o grau de evolução suficiente para contar com os dedos estão
quase completamente disprovidos de toda noção de número. Os habitantes da selva
da África do Sul não possuem outras palavras numéricas além de um, dois e muitos, e ainda essas
palavras estão desvinculadas que se pode duvidar que os indígenas lhes atribuam
um sentido bem claro.
Realmente não há razões para crer que
nossos remotos antepassados estivessem mais bem equipados, já que todas as
linguagens européias apresentam traços destas antigas limitações: a palavra
inglesa thrice,
do mesmo modo que a palavra latina ter,
possui dois sentidos: "três vezes" e "muito". Há evidente
conexão entre as palavras latinas tres
(três) e trans
(mais além). O mesmo acontece no francês: trois
(três) e très
(muito).
Como nasceu o conceito de número? Da
experiência? Ou, ao contrário, a experiência serviu simplesmente para tornar
explícito o que já existia em estado latente na mente do homem primitivo? Eis
aqui um tema apaixonante para discussão filosófica.
Julgando o desenvolvimento dos nossos
ancestrais pelo estado mental das tribos selvagens atuais, é impossível deixar
de concluir que sua iniciação matemática foi extremamente modesta. Um sentido
rudimentar de número, de alcance não maior que o de certos pássaros, foi o
núcleo do qual nasceu nossa concepção de número. Reduzido à percepção direta do
número, o homem não teria avançado mais que o corvo assassinado pelo senhor
feudal. Todavia, através de uma série de circunstâncias, o homem aprendeu a
completar sua percepção limitada de número com um artifício que estava
destinado a exercer influência extraordinária em sua vida futura. Esse
artifício é a operação de contar,
e é a ele que devemos o progresso da humanidade.
O número sem contagem
Apesar disso, ainda que pareça estranho, é
possível chegar a uma idéia clara e lógica de número sem recorrer a contagem.
Entrando numa sala de cinema, temos diante de nós dois conjuntos: o das
poltronas da sala e o dos espectadores. Sem contar, podemos assegurar se esses
dois conjuntos têm ou não igual número de elementos e, se não têm, qual é o de
menor número. Com efeito, se cada assento está ocupado e ninguém está de pé,
sabemos sem contar que os dois conjuntos têm igual número. Se todas as cadeiras
estão ocupadas e há gente de pé na sala, sabemos sem contar que há mais pessoas
que poltronas.
Esse conhecimento é possível graças a um
procedimento que domina toda a matemática, e que recebeu o nome de correspondência biunívoca.
Esta consiste em atribuir a cada objeto de um conjunto um objeto de outro, e
continuar assim até que um ou ambos os conjuntos se esgotem.
A técnica de contagem, em muitos povos
primitivos, se reduz precisamente a tais associações de idéias. Eles registram
o número de suas ovelhas ou de seus soldados por meio de incisões feitas num
pedaço de madeira ou por meio de pedras empilhadas. Temos uma prova desse
procedimento na origem da palavra "cálculo",
da palavra latina calculus,
que significa pedra.
A idéia de correspondência
A correspondência
biunívoca resume-se numa operação de "fazer
corresponder". Pode-se dizer que a contagem se realiza fazendo
corresponder a cada objeto da coleção (conjunto), um número que pertence à
sucessão natural: 1,2,3...
A gente aponta para um objeto e diz: um; aponta para outro e
diz: dois; e
assim sucessivamente até esgotar os objetos da coleção; se o último número
pronunciado for oito, dizemos que a coleção tem oito objetos e é um conjunto
finito. Mas o homem de hoje, mesmo com conhecimento precário de matemática,
começaria a sucessão numérica não pelo um
mas por zero,
e escreveria 0,1,2,3,4...
A criação de um símbolo para representar o
"nada" constitui um dos atos mais audaciosos da história do
pensamento. Essa criação é relativamente recente (talvez pelos primeiros
séculos da era cristã) e foi devida às exigências da numeração escrita. O zero não só permite
escrever mais simplesmente os números, como também efetuar as operações.
Imagine o leitor - fazer uma divisão ou multiplicação em números romanos! E no
entanto, antes ainda dos romanos, tinha florescido a civilização grega, onde
viveram alguns dos maiores matemáticos de todos os tempos; e nossa numeração é
muito posterior a todos eles.
Do relativo ao absoluto
Pareceria à primeira vista que o processo
de correspondência biunívoca só pode fornecer um meio de relacionar, por
comparação, dois conjuntos distintos (como o das ovelhas do rebanho e o das
pedras empilhadas), sendo incapaz de criar o número
no sentido absoluto da palavra. Contudo, a transição do relativo ao absoluto
não é difícil.
Criando conjuntos
modelos, tomados do mundo que nos rodeia, e fazendo cada um deles
caracterizar um agrupamento possível, a avaliação de um dado conjunto fica
reduzida à seleçào, entre os conjuntos modelos, daquele que possa ser posto em
correspondência biunívoca com o conjunto dado.
Começou assim: as asas de um pássaro podiam
simbolizar o número dois, as folhas de um trevo o número três, as patas do
cavalo o número quatro, os dedos da mão o número cinco. Evidências de que essa
poderia ser a origem dos números se encontram em vários idiomas primitivos.
É claro que uma vez criado e adotado, o
número se desliga do objeto que o representava originalmente, a conexão entre
os dois é esquecida e o número passa por sua vez a ser um modelo ou um símbolo.
À medida que o homem foi aprendendo a servir-se cada vez mais da linguagem, o
som das palavras que exprimiam os primeiros números foi substituindo as imagens
para as quais foi criado. Assim os modelos concretos iniciais tomaram a forma
abstrata dos nomes
dos números. É impossível saber a idade dessa linguagem numérica falada, mas
sem dúvida ela precedeu de vários milhões de anos a aparição da escrita.
Todos os vestígios da significação inicial
das palavras que designam os números foram perdidos, com a possível excessão de
cinco (que em
várias línguas queria dizer mão, ou mão estendida). A explicação para isso é
que, enquanto os nomes dos números se mantiveram invariáveis desde os dias de
sua criação, revelando notável estabilidade e semelhança em todos os grupos
linguísticos, os nomes dos objetos concretos que lhes deram nascimento sofreram
uma metamorfose completa.
Palavras que
representam números em algumas línguas indo-européias:
|
Nº
|
Grego arcaico
|
Latim
|
Alemão
|
Inglês
|
Francês
|
Russo
|
|
1
|
en
|
unus
|
eins
|
one
|
un
|
odyn
|
|
2
|
duo
|
duo
|
zwei
|
two
|
deux
|
dva
|
|
3
|
tri
|
tres
|
drei
|
three
|
trois
|
tri
|
|
4
|
tetra
|
quatuor
|
vier
|
four
|
quatre
|
chetyre
|
|
5
|
pente
|
quinque
|
fünf
|
five
|
cinq
|
piat
|
|
6
|
hex
|
sex
|
sechs
|
six
|
six
|
chest
|
|
7
|
hepta
|
septem
|
sieben
|
seven
|
sept
|
sem
|
|
8
|
octo
|
octo
|
acht
|
eight
|
huit
|
vosem
|
|
9
|
ennea
|
novem
|
neun
|
nine
|
neuf
|
deviat
|
|
10
|
deca
|
decem
|
zehn
|
ten
|
dix
|
desiat
|
|
100
|
hecaton
|
centum
|
hundert
|
hundred
|
cent
|
sto
|
|
1000
|
xilia
|
mille
|
tausend
|
thousand
|
mille
|
tysiatsa
|
Fonte: Dicionário Enciclopédico Conhecer - Abril Cultural
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